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A Roda de Cura: partilha e transformação

O circulo ou Roda é o símbolo da continuidade dos ciclos da vida; e da unidade que formam todas as experiências de um individuo assim como as de um grupo. Sentados em círculo todos somos iguais, o papel e a palavra de cada um no círculo tem a mesma importância e valor.
A Roda de Cura de tradição ameríndia é o modo de partilha de experiências e qualidades. De cada experiência vem um aprendizado e surge um conhecimento vital. Quando a experiência é compartilhada, aquilo que foi único e individual, passa a ser interiorizado por cada membro do grupo que forma a Roda, e o aprendizado se faz mais amplo e rico.

No Santuário de Gabriel a Roda de Cura dá espaço para que cada hóspede tenha vivencias consigo mesmo na partilha com os outros.

O Espírito da Roda de Cura, como meio de conhecimento e partilha, já está instaurado no Santuário; porem em cada grupo ela obtém sua singularidade, que é criada pelo grupo. Cada grupo que vem ao Santuário é composto por diversas pessoas, cada uma um individuo, e é nesta partilha, nesta inter-relação que é criada a singularidade da Roda de Cura.

A Roda de Cura é um espaço físico definido. É um círculo demarcado pelas cartas verdes do Caminho Sagrado que estão veladas (de cara para abaixo), e pelas imagens das 64 flores que compõem as essências florais do Sistema de Gabriel criado aqui no Santuário.

No centro do círculo há a luz de uma vela branca. Simboliza o eixo de conexão com o veiculo espiritual. É a luz do Espírito da Roda de Cura. Ela está inscrita no espaço referenciado pelas quatro direções que nas cartas São os 4 escudos: Ao leste a Águia que sustenta o esclarecimento. No trabalho realizado no Santuário de Gabriel, o leste é a direção do Espírito Sagrado do Fogo. Ao Sul o Coiote que sustenta a inocência da criança interior. Nossa conexão com nosso instinto em pureza, sem distorção. No trabalho realizado no Santuário de Gabriel, o sul é a direção onde rege o Espírito Sagrado do Ar. Ao Oeste o Urso que sustenta a introspecção para elaborar nossos objetivos com clareza. No trabalho realizado no Santuário de Gabriel, o Oeste é o portal onde rege o Espírito Sagrado da Terra. Ao Norte o Búfalo animal que sustenta a Gratidão que surge em nós, quando adquirimos sabedoria. No trabalho realizado no Santuário de Gabriel, o Norte é o portal onde rege o Espírito Sagrado da Água.
Assim no espaço físico estamos orientados e definidos. Os poderes- qualidades de cada direção nos guardam.

Na Roda de Cura a palavra tem uma manifestação criativa.
O Bastão de Poder acompanha a quem está falando, ou seja, usando o poder da palavra. Com a palavra cada participante se apresenta. E na medida em que cada um se apresenta, vai sendo criada a singularidade da Roda. Quem sou eu, meu nome porque sinto que estou aqui, que foi o que me chamou para vir até aqui e o que espero se é que espero algo definido.

Cada participante, com o Bastão de Poder em suas mãos, define qual será sua experiência. Ele escolhe primeiro uma carta verde do Caminho Sagrado. Pode, se quiser, escolher uma flor dos 64 florais. A sua vivência é coroada pela doação dos anjos.
Aqui o participante, como membro da Roda, se doa uma qualidade que honrará durante um dia, até a Roda do dia seguinte, e doa uma qualidade a cada membro da Roda, criando-se assim a rede de relações. E finaliza dando a Roda - como Ser na unidade - uma qualidade que a Roda usará para criar a união do grupo. A Roda não é o grupo. A Roda é o fluxo em relação do grupo.

Quando finalizam as apresentações dos componentes do grupo a Roda já está constituída e então o membro mais jovem, ou o ancião, do grupo escolhe um Anjo para a Roda.
Ao longo dos três ciclos da Roda: sexta de tarde, sábado e domingo, o Espírito da Roda vai sendo criado; vai sendo tecida a sua singularidade a partir das vivências que cada componente compartilha, e das relações que se tecem.

Aprendamos do ameríndio, o ser um humano de coração de fogo, com força, integridade, humildade e alegria, para compartilhar com a mente e o coração abertos e receptivos.